domingo, 4 de novembro de 2012

Eu não quero a felicidade pós-moderna

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Desde os tempos remotos que o objetivo de todo ser humano é a busca da felicidade. A própria definição de felicidade sempre esteve presente nas reflexões filosóficas, políticas e religiosas. Por exemplo, para Aristóteles – “A felicidade é um princípio; é para alcançá-la que realizamos todos os outros atos; ela é exatamente o gênio de nossas motivações.”
Porém, em cada momento da história, a felicidade teve seu próprio significado de acordo com a consciência, experiências e motivações pertinentes a cada geração. De modo que, é possível detectar resumidamente a diversidade de significados que a felicidade tomou no percurso da história recente do ocidente:
Na idade média, período caracterizado pelos feudos, pelo trabalho camponês, agricultura e sistema econômico de trocas, a igreja católica era o único sistema religioso permitido entre as pessoas e instituições. De modo que, a felicidade estava atrelada a religiosidade e aos progressos materiais realizados pelo homem daquela época.
Na idade moderna, com os diversos movimentos e revoluções, inclusive o próprio protestantismo, a felicidade passou a ser garimpada nos campos da razão, com o surgimento do iluminismo que pregava o antropocentrismo – onde o homem era o centro do universo.
Porém, com a chegada da idade pós moderna (no inicio do século XX), o significado de felicidade foi novamente sendo redesenhado através das diversas transições culturais, econômicas e sociais que ocorreram, como por exemplo a industrialização (que anunciava a felicidade como fruto do trabalho).
Contudo, devido as diversas crises que ocorreram no inicio do século XX, novas necessidades foram sendo criadas, segundo os escritores Maria Severiano e José Estramiana “ocorreu uma nova estruturação no sistema de necessidades do indivíduo que antes era orientada somente para satisfação de necessidades básicas que passou a ter como foco a satisfação de desejos abstratos.” Ou seja, inaugurava-se a era da publicidade e propaganda, que estimulariam a sociedade a valorizar a estética, o design e as marcas. O estilo de vida, como também, o bem estar ou a felicidade estariam atrelados aos estímulos externos que aguçariam o imaginário coletivo a acreditar que a plenitude e a significação existencial estariam aliançados aos objetos de consumo.
De modo que, em nosso tempo o consumidor é uma espécie de estereótipos da felicidade pós moderna, onde o bem estar depende do poder de consumo. E mais do que isto, percebe-se que, setores jamais imaginados que pudessem se relacionar com a era homem-objeto, como por exemplo algumas “igrejas” (adeptas da teologia da prosperidade), infelizmente passaram a servir a cultura tirânica do consumo.
Deste modo, enquanto o significado de felicidade for a busca pelas demandas e futilidades narcisistas que habitam o coração do homem pós moderno, fica caracterizado o engodo e a sutileza maligna que se avoluma em nossos dias, através de uma falsa aparência de bem estar e plenitude existencial. Uma vez que, as escrituras sagradas em nenhum momento menciona a felicidade que o homem atual tanto busca. Não encontramos por exemplo, Jesus Cristo dizendo: “Vinde a mim, e alcançaras a felicidade que tanto desejas”, ou os apóstolos dizendo: “O evangelho que pregamos é o evangelho da felicidade”, pelo contrário encontramos Paulo (o apóstolo), dizendo: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (I Corintios 1.18)
Sendo assim, o evangelho de Jesus Cristo não promete a felicidade que acontece quando as circunstâncias estão favoráveis, ou enquanto o individuo tem condições para consumir objetos ou coisas temporais, mas antes, o evangelho de Cristo Jesus, oferece a alegria, que é fruto do Espírito, e que não depende das circunstâncias, objetos ou de qualquer outra coisa para se manifestar, porque a fonte desta alegria é o próprio Espírito de Deus, que procede do interior do homem para o exterior.
Deste modo, o desejo de Deus para seus filhos não é a felicidade pós moderna que é frágil e maligna, mas antes, certamente é o estilo de vida que o apóstolo Paulo declarou: Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Romanos 14.17)
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