Há mais de dois anos a história se repete. Milícias muçulmanas
avançam sobre cidades onde cristãos e muçulmanos viviam em paz e tudo
muda. Eles começam a forçar conversões ao islamismo, queimam e saqueiam
casas e igrejas, chegando a decapitar ou até mesmo crucificar os que não negam sua fé em Jesus.
Notícias semelhantes chegaram ao conhecimento da imprensa mundial no
início de novembro. Duas semanas atrás, milícias rebeldes invadiram a
vila de Sadad, a 100 quilômetros da capital Damasco. O vilarejo é tão
antigo que seu nome é mencionado na Bíblia em Números e em Ezequiel, com
a grafia original de Zedade.
A grande maioria das 3000 pessoas que atualmente vivem ali são
cristãos. Nos primeiros dias, 45 foram mortos, dezenas ficaram feridos e
milhares forçados a abandonar suas casas usando apenas a roupa do
corpo.
Os rebeldes que lutam contra o governo, destruíram igrejas e
mosteiros que estavam no lugar havia séculos. As Forças Armadas da
Síria reocuparam a vila alguns dias depois, e muitos já regressaram para
casas embora ainda temam novos ataques.
Surgiram agora relatos de dezenas de feridos e muitos desaparecidos.
Um dos casos mais chocantes é de uma família inteira dizimada. Avó,
filha e netos, com idades entre 16 e 90 anos, foram estrangulados e
lançados juntos em uma cisterna.
Noura Haddad de 18 anos, que está refugiada numa cidade vizinha,
lembra: “Eles queriam nos matar só porque éramos cristãos. Nos chamavam
de kafirs (infiéis). Até mesmo os que eram nossos vizinhos se voltaram
contra nós. Tenho mantido contato com os poucos amigos cristãos que
voltaram para casa, mas eu não posso dizer que ainda tenho algum amigo
muçulmano depois disso. É muito triste”.
O arcebispo da Igreja Siro-Ortodoxa, Selwanos Boutros Alnemeh, lançou
um questionamento incômodo durante o funeral das vítimas. “Pedimos
socorro ao mundo; ninguém nos escuta. Onde está a consciência cristã?
Onde estão os nossos irmãos?”.
Diferentes igrejas da Síria, incluindo ortodoxas, evangélicas e
católicas, se uniram para pedir socorro e condenar a violência contínua
contra os cristãos do país.
Mais de um terço dos cristãos da Síria não está mais no país
desde o início da guerra civil, afirma o maior líder católico sírio,
Gregório III Laham. Ele disse acreditar que mais de 450 mil cristãos
estão refugiados ou mortos. Mesmo assim, afirmou que a comunidade cristã
da Síria irá sobreviver. Segundo Laham, os cristãos devem testemunhar
uma nova forma de vida e novos valores ao mundo árabe durante a atual
crise. “A nossa missão é tentar mudar a visão do mundo árabe”. Com informações de Reuters e Catholic.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
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