O livro ‘To Train Up a Child’ (‘Treinando uma Criança’) escrito pelo
casal de pastores Michael e Debbie Pearl tem causado revolta em pais e
educadores dos Estados Unidos.
Os autores ensinam os pais a corrigirem seus filhos usando palmadas,
cintos e varas, mas depois que três crianças morreram espancadas por
seus pais, possivelmente leitores do livro, a obra passou a ser
investigada.
“Treinar é condicionar a mente da criança antes que surja uma crise; é
uma preparação para obediência futura, instantânea e sem
questionamentos”, afirma o primeiro capítulo do livro.
Em outras páginas os pastores aconselham a usarem um régua de 30
centímetros ou um galho pequeno de chorão para corrigir crianças com
menos de um ano e galhos maiores ou cintos para corrigir crianças
maiores.
O livro foi lançado há anos e fez muito sucesso entre os pais mais
conservadores, ensinando que as crianças precisam ser “treinadas” desde
muito cedo para se tornarem obedientes.
As lições do casal Pearl são de fato exageradas, os autores chegam a
sugerir que os pais se sentem em cima das crianças antes de bater. “Se
você precisar sentar em cima dela para bater nela, não hesite. E segure
ele nessa posição até que ele se renda. Derrote-o completamente”.
O site G1 mostrou o testemunho de uma mulher que usou o nome falso de
Hannah. Filha de batistas tradicionais do noroeste da Flórida, ela
relata que apanhava muito e muitas vezes sem ter um motivo.
Hannah diz que uma vez seu pai se descontrolou na hora de castigá-la
ao descobrir que ela tinha brigado na escola. Ele teria usado réguas e
paus, chegando a quebrar cinco galhos durante a surra.
“Nas semanas seguintes, eu não conseguia sentar direito [devido à
dor] e ele me dizia ‘pare de fazer melodrama, o que há de errado com
você?’ Minha mãe me examinou e [a região próxima ao meu cóccix] estava
ferida e inchada”, recorda.
Ela acusa o livro dos pastores de terem influenciado seus pais a serem tão violentos com ela e com sua irmã mais nova.
Mas Hannah não é a única pessoa que cresceu sob as normas da obra,
pois o livro já vendeu mais de 800 mil cópias em todo o país. A primeira
edição foi lançada em 1994 e só em 2010 é que foi identificado um caso
de morte por espancamento cujo réu era leitor do livro.
O caso foi da pequena Lydia Schatz, que morava na Califórnia. Um dia
depois foi registrada a morte de Hana Williams, de Washington. Todas
elas mortas por espancamento. Os pais foram presos e cumprem pena por
homicídio.
O terceiro caso aconteceu no estado da Carolina do Norte e a mãe
teria sufocado a criança com o cobertor. As perícias realizadas pelos
legistas mostram que todas as crianças foram castigadas, antes de
morrer, por artefatos de plástico, exatamente como está descrito no
livro. informações Gospel Prime
sábado, 14 de dezembro de 2013
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