Pastor, inicialmente, como foi sua infância, adolescência e juventude antes do encontro com Jesus?
Nasci
em Niterói, no Rio de Janeiro. Meu pai era da Marinha. Em uma viagem ao
Recife, ele conheceu minha mãe. Casaram-se e, logo após o primeiro
filho, ele foi transferido para o Rio, onde eu nasci no dia 22 de maio
de 1949. Eu amei muito meus pais. Quando ainda estava no RJ, existia uma
vizinha que, segundo minha mãe, era da Assembleia de Deus e sempre que
ia para a igreja pedia: “Dona Celina, deixe eu levar Siminha?”. Este era
meu apelido de criança. E mamãe permitia. Claro, eu não conhecia essa
senhora, mas entendo que devo a minha salvação, também, a essa mulher
que eu nunca conheci. Com mais ou menos um ano de idade, meus pais
voltaram para o Recife, onde eu cresci estudando nos melhores colégios.
Aos 20 anos aceitei Jesus como salvador.
Como aconteceu a sua conversão?
Eu
senti, aos 20 anos, um vazio dentro de mim. Algo que o mundo, os meus
amigos, o futebol não estavam preenchendo. Sentia-me muito inseguro.
Queria algo mais forte, que garantisse meu futuro. Isso começou quando
eu comecei a ler o Novo Testamento que meu irmão (in memoriam)
havia ganhado. Toda vez que eu o lia, ficava impressionado porque ele
me acusava muito. O livro dizia que eu estava errado, e eu não gostava
dele. Mas não conseguia mais dormir sem lê-lo. Certa noite, depois de
ler o Novo Testamento, eu não suportei mais, me levantei dobrei os
joelhos e fui “rezar”. E, nessa minha “reza” — eu não sabia a diferença
entre reza e oração —, eu disse assim: “Se Deus existe e Jesus morreu
para salvar os pecadores, eu vou para o inferno. Mas eu não quero ir
para o inferno, eu não quero ir para aquele lugar. Alguém tem que me
livrar disso”. Fiquei ali de joelhos e, terminando aquela “reza”, me
deitei. Foi quando algo, como uma luz — não era uma luz —, me envolveu
dos pés à cabeça, e eu fiquei muito leve, feliz, porque ia escapar
daqueles gafanhotos do Apocalipse. Fiquei acordado durante toda a noite,
porque o Novo Testamento dizia que Jesus vinha como um ladrão de
madrugada. Então, tive medo de dormir e Jesus vir. Eu queria que as
pessoas soubessem que eu era crente. Pela manhã, informei a Ir. Geni e a
Ir. Zuleide, que eram vizinhas. À noite, fui para a Assembleia de Deus
na Mustardinha. O Ir. Valfrido, diácono do Alto dos Coqueiros, estava
dirigindo o culto. Era 29 de julho de 1969. Eu entrei, me entreguei para
Jesus e sou feliz até hoje.
O casamento e os filhos. Como e quando chegaram?
A
Ir. Rosa (Rosete Santos) tem sido uma verdadeira amiga e companheira.
Eu a conheci quando tinha 15 anos. Começamos a namorar, depois eu
ingressei na Marinha, no grupo de Fuzileiros Navais, e fui transferido
para o Rio de Janeiro, precisamente para a Ilha do Governador, onde
servi por 2 anos no Batalhão Riachuelo. Quando eu aceitei Jesus como
salvador, Ir. Rosa fez o mesmo. Eu aceitei Jesus numa quarta-feira; no
sábado seguinte, ela foi para o ensaio do conjunto em Jiquiá e lá também
se entregou a Cristo. Claro que com certa influência minha, mas depois
Jesus confirmou-a, batizando-a com o Espírito Santo. No ano seguinte,
aos 21 anos de idade, nos casamos. Somos felizes, nos entendemos muito
bem. Desse casamento, vieram seis filhos: Sadoque, Sulamita, Suzana,
Sinair, Siny e Selomite, todos Dias dos Santos. E, hoje, seis netos.
Sadoque, o mais velho, hoje é diácono da Igreja e, até onde eu conheço, é
um bom servo de Deus e um bom filho, como os outros também. Já casado,
cursei Licenciatura em Estudos Sociais, pela Universidade Federal Rural
de Pernambuco; Teologia, pelo Seminário Pr. Cícero Canuto, hoje
ESTEADEB; e Direito, pela Universidade Católica de Pernambuco.
Quais
as primeiras experiências espirituais que o senhor viveu e em que
circunstância começou a cooperar nos trabalhos da Igreja?
Para
ser justo, eu não tenho nenhuma vaidade em omitir essas coisas, minhas
primeiras experiências espirituais foram na Mustardinha. Comecei indo à
Escola Dominical e saindo a campo ainda como novo convertido. Ouvi falar
de batismo com Espírito Santo e fiquei muito entusiasmado. Comecei a
orar nesse sentido, até que, dois meses depois, numa oração de Mocidade
em Jiquiá, veio algo diferente, muito forte em cima de mim — eu não
sabia explicar, mas falei umas línguas diferentes. Assustado com aquilo,
fiquei calado, mas uma irmã escutou e perguntou à, na época, minha
noiva, Ir. Rosa, se eu era batizado. Ela respondeu que não. Então aquela
senhora experiente, como Áquila e Priscila, disse: “Ele é batizado.
Diga a ele que ore para Jesus confirmar”. Fui para o Círculo de Oração
no Pacheco, no tempo da Ir. “da Biu”, em jejum, e Jesus confirmou o
batismo. Eu cooperava na Campanha da Mustardinha, o dirigente era o Ir.
João Rodrigues, conhecido por Ir. Joca. A secretária era Ir. Rosinalda,
esposa do Pr. Eraldo Clementino. Todos os domingos, eu jejuava para sair
a campo. Eu pregava muito quando saía a campo. Meu grupo saia às 14h e
só parava às 17h. Eu gostava de evangelizar.
Nesse
período, o Pr. Pedro Leite me colocou na lista local. Logo depois o Pr.
Inaldo de Angeles, um verdadeiro mestre, me apresentou para a lista
oficial e também para o diaconato e para o presbitério. Ainda que
evangelista seja algo ligado diretamente ao Pastor Presidente, acredito
que ele influenciou para que eu fosse um evangelista. Eu devo muito a
esses dois homens. Mas, nas entrelinhas, eu louvo a Deus também pela
vida do Pr. Eraldo Omena, pois foi ele que me introduziu no Templo
Central, me convidando para cooperar na Gerência Pecuniária (Gerpec),
autorizado pelo Pr. Leôncio.
Em que momento o senhor teve certeza da chamada ministerial e como aconteceu a sua consagração ao serviço pastoral?
Ali,
naquela área — Mustardinha, Jiquiá, Vila do Tenente — tinha um diácono
chamado Tertuliano Gomes — que já dorme no Senhor —, que não era um
homem letrado, mas um homem de oração. Ele me convidou para servir a
ceia aos irmãos, e eu comecei a acompanhá-lo. Um dia, ele me convidou
para irmos a uma congregação chamada Arsênio Calaça. Ali, Deus usou a
esposa do Ir. Barbosa em profecia e falou a respeito dessa chamada
ministerial. Eu não compreendia muito bem, mas me lembro de que o Ir.
Terto — como era conhecido — glorificava a Deus dizendo: “Que promessas
gloriosas, que promessas gloriosas!”. Eu era um novo convertido, não
tinha nem 1 ano de crente. Outro dia, eu estava saindo de um culto na
Mustardinha, e a Ir. Gedalva — que já dorme no Senhor —, me disse: “Ir.
Simas! Eu vi, viu?”. Perguntei: “O quê?”. Ela respondeu: “Ministério,
ministério, ministério”. Voltei a perguntar: “O que é isso?”. Ela disse:
“Não sei”. Mas essa convicção se fortaleceu quando Deus usou o Pr.
Genésio Bezerra, em um culto na Mustardinha. Naquele dia — tenho isso
anotado em minha Bíblia, anotei bem assim: “30 de novembro de 1995.
Neste dia, Deus me fez pastor!”. Eu cooperava como presbítero, mas senti
isso muito forte. Fiquei feliz e com muito medo, pois eu achava que a
vida de pastor era muito corrida. Eu via o Pr. Leôncio e o Pr. Almeida
num corre-corre muito grande e fiquei com medo. Mas aqui estou eu, neste
maravilhoso corre-corre em que sobra pouco tempo, e às vezes nenhum
tempo, para cuidar de mim, da minha querida esposa, isto é, da minha
família. Mas estou feliz. Não estou zangado com Deus nem com o meu
Salvador, Jesus, porque me teve como digno de ser um pastor, de me
gastar linda Igreja, cooperando com meu grande amigo, Pastor Presidente,
Ailton José Alves.
Hoje,
o senhor é pastor da Assembleia de Deus na cidade do Carpina — depois
de ter passado por cidades como: Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço
da Mata —, é o primeiro-secretário da Convenção de Ministros da
Assembleia de Deus em Pernambuco (CONADEPE) e um líder respeitado pela
firmeza doutrinária. Qual a sua visão disso?
Primeiro,
eu agradeço a Deus. O Pr. Pedro Leite certa vez me disse: “Simas, Deus é
que agracia o homem a Igreja!”. Então, eu agradeço a Deus. É claro que
me esforço para ser digno. Mas sinto, também, o peso muito grande da
responsabilidade, como diz a Palavra de Deus: “A quem se mais dá também
dele será mais cobrado”.
Essa
é a visão que eu tenho de tudo isso que os irmãos pensam que eu sou,
porque Deus sabe que eu não me sinto assim. Sinto-me apenas como um
cooperador do ministério, e isso já me satisfaz.
O
senhor trabalha ao lado do Pastor Presidente, Ailton José Alves, há
muitos anos, desde o período em que dirigiam uma Escola Bíblica
Dominical. Ele já afirmou tê-lo como um grande amigo. Como funciona
trabalhar próximo dele?
Isso
impõe responsabilidade e cuidado. Principalmente cuidado. Porque ser
amigo do Pr. Ailton é uma grande honra, mas devemos estar muito atentos.
O Pr. Ailton, ainda que a sua aparência — assim como a minha — deixe as
pessoas temendo de se aproximar, é um homem tímido e de um sentimento
muito profundo. E tudo o que acontece com aqueles que ele considera mais
próximos — porque ele é amigo de todos, mas, como todo o ser humano e o
próprio Jesus, há aqueles mais próximos — reflete nele, podendo trazer
muita alegria, mas também profunda tristeza. Com respeito à Escola
Dominical, fui professor da Escola em que ele era dirigente, na Vila do
Tenente, depois vice-dirigente. Quando ele foi para a Missão, eu passei a
dirigi-la. Sendo assim, já faz uns dias que a gente caminha junto, e eu
espero — debaixo do sangue de Jesus — continuar. E eu me esforço para
isso, oro por isso… De ser digno dessa confiança. Acho melhor morrer do
que perdê-la.
O
senhor tem acompanhado a Igreja em todas as regiões do Estado e também
no exterior — no campo missionário —, visitando diversos trabalhos. O
que tem visto?
Primeiro,
eu admiro o cuidado, o zelo e como o Pastor Presidente se preocupa com a
Igreja. Ele dá o máximo de si, a gente fica tentando fazê-lo
economizar-se um pouco, mas ele quer fazer, ele quer ir. Então, a gente
tem que tentar acompanhá-lo. Quanto ao trabalho, aqui em nosso estado
está bem. Precisamos fazer mais, mas está bem. Todos procuram ganhar
almas, abrir novos trabalhos e ensinar o povo. No campo missionário, o
que tenho visto é o mesmo, com um pouco mais de dificuldade, porque na
Missão existem algumas barreiras, como: a língua, a cultura, os
costumes, as leis do país. Mas a nossa Missão no exterior — podemos
afirmar — é uma das mais sólidas e tida como referencial.
A
Assembleia de Deus em Pernambuco se aproxima do Centenário em 2018 como
a maior denominação evangélica do Estado e a que mais cresce no País.
Qual o segredo?
Oração,
evangelização e não negociar as coisas espirituais. Sejam quais forem
as circunstâncias, as coisas de Deus são inegociáveis. Porque quando se
deixa de orar se perde o ânimo e o mover do Espírito Santo na Igreja.
Quando se deixa de evangelizar, de abrir novos trabalhos, o número de
salvos na Terra não cresce. E, quando se negocia as coisas espirituais,
se perde o verdadeiro sentido para o qual nós fomos salvos — que é o céu
—, ficamos apenas focados naquilo que é material.
Com a experiência que tem e a responsabilidade que carrega, qual o seu conselho aos obreiros mais novos?
Eu
não sei se este meu pensamento é muito forte para uma entrevista, mas o
conselho que eu dou para os companheiros mais jovens é tirar o coração
daquilo que é material ou patrimonial da Igreja e colocar o coração
nela.
Pastor, suas palavras encerrando esta entrevista.
Certa
vez, eu estava lendo a Bíblia, mas estava muito preocupado em conhecer o
sentido das coisas espirituais. Eu queria entender completamente as
coisas, porque achava que, entendendo tudo, poderia servir melhor. Eu
estava sozinho lendo a Bíblia, era uma tarde. Eu estava no Cabo. E,
quando eu estava nessa preocupação, uma voz falou no meu coração: “Eu
não te chamei para que entendesses todos os meus caminhos, mas para que
cresses em Mim”. E isso tem marcado a minha vida.
ADNews



0 comentários:
Postar um comentário