O sonho
de Nabucodonosor tinha uma estrutura de uma mensagem profética. Os
estudiosos veem o capítulo 2 apenas numa perspectiva histórica, porque
os quatro impérios pagãos que a visão anunciava já passaram. Porém, a
visão tinha também um sentido escatológico, porque estabelece ao final o
reino universal de Cristo. É algo que Deus tem preparado para o futuro.
A visão contém quatro divisões principais.
A imagem da grande estátua (2.31 -33)
A estátua
que Nabucodonosor viu tinha uma cabeça de ouro (v.32); o peito e os
braços eram de prata (v.32); o ventre e as coxas da estátua eram de
cobre (v.32); as pernas eram de ferro (v.33) e os pés da estátua
continham ferro e barro (v.33). No versículo 34 temos “uma pedra que foi
cortada, sem mãos”, a qual feriu a estátua nos pés destruindo-a
completamente. Naqueles tempos, o misticismo e a utilização de figuras
de representação faziam parte das crendices existentes na cultura pagã.
Na mente de Nabucodonosor havia essa cultura e Deus aproveita para
revelar realidades presentes e futuras daquele império através de
sonhos. Todavia o rei esqueceu o sonho mas sabia que havia sonhado algo
importante que tinha algum significado para si mesmo e para o seu
império.
A interpretação dos elementos materiais da grande estátua (2.34-45)
Em
primeiro lugar, “a cabeça de ouro” (w.32,36-38) representava o próprio
Rei Nabucodonosor, o rei mais poderoso da terra na época. Sua palavra
era lei e governou por 41 anos e transformou a Babilônia no maior
império do mundo. Obteve grandes conquistas e alargou suas fronteiras e
domínio tomando posse das riquezas das nações conquistadas, inclusive
dos reinos de Judá e de Israel. Em segundo lugar, “o peito e os braços
de prata” (vv.32,39) simbolizavam o império que sucedeu a Nabucodonosor,
o Império Medo-persa. Os dois braços ligados pelo peito simbolizam a
união dos medos e dos persas. Nesse tempo prevaleceu muito mais as leis
instituídas que a autoridade dos reis desses povos. Em terceiro lugar,
Daniel fala do “ventre e os quadris” da estátua (vv.32,39) que eram de
cobre e representavam o terceiro reino que sucedeu ao medo-persa,
o Império
Grego. Foi Alexandre Magno, o grande rei e general, que dominou o mundo
inteiro até desintegrar-se com a sua morte. Em quarto lugar, aparece as
“pernas de ferro” (v.33,40-43) que representavam o último império dessa
visão, o Império Romano. Esta interpretação baseia-se na visão política
de um rei pagão. Em quinto lugar, "os pés de ferro e barro” indicavam a
fragilidade dessa grande estátua. A mistura de ferro e barro não dá
liga, nem sustenta aquele império que viria, o Romano. Ainda que não
seja citado o Império Romano, o contexto histórico e profético denuncia
que se tratava desse império. As pernas de ferro indicavam a dureza do
poder militar que tornou Roma muito forte, mas diluiu-se moralmente
demonstrando a fragilidade do barro. Os elementos constitutivos da
estátua são materiais porque indicam esta visão política para a
compreensão de Nabucodonosor.
A intervenção divina com “a pedra cortada, sem ajuda de mãos” (2.45)
Os reinos
descritos de cima para baixo representados na grande estátua revelam a
progressiva decadência dos reinos desse mundo, pois começam no ouro e
terminam no barro. Esta “pedra” representa o reino que virá que é o
Reino messiânico de Cristo intervindo no poder dos reinos do mundo. Ele é
a pedra cortada que virá para desfazer no último tempo o poder mundial
do Anticristo (Dn 2.45; SI 118.22; Zc 12.3). O sentido da pedra cortada
vinda do monte indica figuradamente a vinda de Cristo que esmiuçará
o domínio configurado dos 10 dedos dos pés da estátua, formando um grande montão (Dn 2.44,45).



0 comentários:
Postar um comentário