Afinal, por que continuamos a nos casar,
a despeito de alguns pronunciamentos esdrúxulos que se lê nas
revistas e se ouve na televisão, aqui e acolá, tanto de pessoas
fúteis como de pessoas de formação acadêmica, ambas sem orientação
religiosa e temor do Senhor?
AMOR
Ainda nos casamos por causa do amor, que
é o sentimento que predispõe duas pessoas de sexo oposto a se
aproximarem e a permanecer juntas.
Segundo o Dicionário técnico de
psicologia, amor é aquele sentimento “cuja característica dominante é
a afeição e cuja finalidade é a associação íntima de outra pessoa
com a pessoa amada”. A paixão é o amor elevado ao seu mais alto grau
de intensidade, podendo sobrepor-se à lucidez e à razão.
Não é o caminho mais indicado para o
casamento, porque é imediatista e simplifica tudo.Na paixão, o sexo
fica sozinho e impera à sua maneira, sem outras evidências de amor.
PARCERIA
Ainda nos casamos por causa da parceria.
Não fomos criados para permanecer sozinhos. São clássicas e
reveladoras as conhecidas palavras de Deus a respeito da criação da
mulher: “Não é bom que o homem viva sozinho.
Vou fazer para ele alguém que o ajude
como se fosse asua outra metade” (Gn 2.18, BLH). O amor, e a sexualidade
em seu bojo, não é a única razão do casamento, ainda que muito
forte.
A união das duas metades para formar
uma só carne não se faz apenas por meio da sexualidade. Isso
enfraqueceria o casamento e o tornaria vulnerável. O matrimônio é uma
associação de idéias, de vontade, de propósitos, de alvos, de fé,
de sacrifícios, de derrotas, de vitórias, de sangue e suor. Em
torno da criação e educação dos filhos. Em torno da fé. Em torno da
economia do lar. Em torno da saúde da família. Em torno do trabalho.
Em torno do lazer. Em torno da felicidade coletiva.
A associação é pequena a princípio,
mas pode aumentar para três, para quatro,para cinco ou para mais
pessoas (os pais e os filhos). A associação não significa igualdade
de temperamentos, de aptidões, de energia e de gostos. Mas significa
obrigatoriamente ideais comuns, buscados a dois. Essa parceria,
preparada desde a eclosão do amor antes do casamento (namoro e
noivado), uma vez preservada e abastecida, talvez dê mais força ao
casamento do que o amor em si.
SANTIDADE
Ainda nos casamos por causa da santidade
pessoal. Tanto a sexualidade como a sede interior de Deus são
características de nascença. Uma não precisa machucar a outra.
Zacarias e Isabel “eram justos diante de Deus e irrepreensíveis em
todos os preceitos e mandamentos do Senhor” (Lc 1.6). Mas isso nunca os
impediu de ter relacionar-se intimamente, mesmo depois da velhice,
quando Deus curou a esterilidade de Isabel para ela dar à luz a João
Batista, o maior “entre os nascidos de mulher” (Lc 7.28).
Além da razão dada pela Bíblia a favor
de uma união monogâmica, heterossexual e estável — evitar as
doenças sexualmente transmissíveis e o temível HIV —, os cristãos
têm o compromisso de não prejudicar o seu relacionamento com Deus por
meio de uma relação sexual promíscua.
“Por causa da impureza”, ensina o
apóstolo Paulo, “cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu
próprio marido” (1 Co 7.2). Talvez Paulo tenha se inspirado naquele
provérbio de Salomão: “Beba a água da tua própria cisterna e das
correntes de teu poço” (Pv 5.15).
Para ficarmos sob a proteção das
normas e não sob o bombardeio dos ímpetos, nós nos obrigamos a
homologar a lei de Deus, juntando-nos dentro de um acordo de
exclusividade e fidelidade mútuas.
Santidade é aquele estilo de vida que
não fere os mandamentos e imita o Senhor: “Sede santos, porque Eu sou
santo” (1 Pe 1.16). Em todas as áreas. Inclusive na área da
sexualidade. É por isso que Paulo diz que os solteiros e os viúvos,
tanto do gênero masculino como do gênero feminino, “caso não se
dominem, que se casem, porque é melhor casar do que viver abrasado” (1
Co 7.8-9).
IEADPE



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