Família é a convivência de aparentados por laços consangüíneos que
vivem em espaço comum e interagem no relacionamento. A família deixou de
ser a célula mater da sociedade e, segundo o Artigo 266º da nossa
Constituição, é a base da sociedade, tendo especial proteção do Estado, o
que soa como um contra-senso visto que a sociedade, com a parcimônia do
estado, desvaloriza e ridiculariza a família a partir da banalização do
casamento, da facilitação do divórcio e da pornograficalização da
sexualidade.
A Palavra de Deus
já preceituava tal catástrofe e podemos deferir do Texto Sagrado,
capítulos 29 à 31 e 37 de Gênesis, ensinamentos sobre diversas situações
que prejudicam o relacionamentos familiar, o que veremos a seguir.
Com base no Texto, diríamos que o relacionamento familiar fica prejudicado...
1. Quando o casamento começa errado - Gênesis 29.18.
De acordo com o costume da época, a filha mais velha deveria casar
primeiro, vs. 26, o que não foi observado por Jacó e aproveitado por
Labão em sagacidade.
Algumas motivações erradas para o casamento são:
a) Paixão;
b) Sexo pré-conjugal;
c) Gravidez;
d) Desejo de maioridade;
e) Libertação do jugo dos pais
f) Situação econômica.
A motivação correta para o casamento é a vontade soberana de Deus
para nossas vidas. Devemos estar resignados ao Senhor se esperamos
felicidade no matrimônio.
O
casamento que resiste aos embates é aquele efetivado por Deus em seu
propósito santo e soberano, e aceito por nós em obediência e resignação
ao Senhor, Marcos 10.9.
2. Quando há disputas familiares - Gênesis 29.34 e 30.1.
Tais disputas são motivadas pela ansiedade egocêntrica de possessão e
de domínio. Atualmente muitos casais vivem esta dificuldade devido a
questões salariais ou quando se matem o divisionismo possessivo
fomentado pela síndrome do ter. Quando a propriedade de bens ou a
ganância econômica é mais importante do que o relacionamento conjugal
não se constrói convivência em mutualidade.
A solução para as disputas familiares é a busca da unidade
espiritual e a prática do altruísmo, do doar-se um ao outro,
promovendo-se partilha de vida, alegria produtiva e espiritualidade.
Quando nos entregamos de forma amorável ao nosso cônjuge, os bens seguem
a reboque.
3. Quando um dos cônjuges se permite ao adultério - Gênesis 30.3-13.
Jacó não só aceitou a proposta absurda da esposa, de fazer sexo com a
serva para gerar filhos, como tornou-se reincidente no erro. Adultério é
pecado. É comparado a feitiçaria na Bíblia e não pode ser admitido
entre servos de Deus. O adultério banalizou-se na vida de Jacó trazendo
grandes problemas, mágoas incuráveis e marcas profundas para os seus, da
mesma forma que amaldiçoa famílias hoje.
A solução para o adultério é muita conversa, inclusive sobre os
anseios sexuais de cada um, associada a uma relação sexual mais
equilibrada e satisfatória possível, concomitante ao perdão
incondicional dispensado àquele quebrou a trato da fidelidade conjugal.
Vale ressaltar que prazer sexual no casamento não é pecado, basta lermos
Cantares de Salomão.
4. Quando se pratica a prostituição conjugal - Gênesis 30.14-16.
Raquel propõe a Léia comprar uma noite de sexo com Jacó em troca das
mandrágoras colhidas por Rúben. Léia aceitou a proposta absurda e
comprou a noitada com o maridão. O mais estarrecedor é que Jacó aceitou
parcimoniosamente a situação, compactuando com aquele deplorável ato de
prostituição conjugal.
Se
queremos evitar esta maldição que muitas vezes se banaliza entre casais,
inclusive cristãos, devemos ter em mente que na relação conjugal,
principalmente no trato sexual, não se troca, vende ou compra nada. Se
dá, se entrega incondicionalmente na busca da realização do outro. Se
precisamos comprar o amor, o carinho, o afeto e o sexo do nosso próprio
cônjuge, o divórcio talvez seja um mau menor.
5. Quando há deslealdade e mentira quanto aos recursos financeiros - Gên. 30.37-43 e 31.20-21.
Jacó demonstrou sagacidade no trato financeiro de sua família e
permitiu-se ao enriquecimento ilícito. Roubou e sonegou ao próprio
sogro, consequentemente, logrou de suas esposas e seus filhos e sendo
desleal à sua própria consciência, o que é pior.
Os benefícios materiais e sociais advindos do enriquecimento ilícito
são bem maiores do que os resultantes da honestidade, mas nada além da
honestidade permite aos pais pureza de consciência e integridade na hora
de exigir dos filhos integridade e honestidade diante de Deus e da
sociedade. Pais roubadores e desonestos não tem autoridade moral e
espiritual para educarem seus filhos.
Para não sermos engodados e enredados pelo desejo de enriquecimento
ilícito devemos buscar a consciência de que é Deus quem nos sustenta e
quem provê os recursos para suprir todas as nossas necessidades mesmo
que com pouco dinheiro. O nome limpo, a paz de espírito e a integridade
que resulta da honestidade são bens valiosíssimos mesmo para os mais
pobres e é a maior herança que podemos outorgar aos nossos filhos,
Provérbios 10.9 e 16.
6. Quando as preferência afetivas são descaradamente declaradas - Gênesis 29.30 e 37. 1-4 e 20.
É impossível não admitirmos, a não ser que sejamos mentirosos, que
temos preferências afetivas em nossas famílias. Nos identificamos mais
com determinada pessoa do que com outra. É uma questão de afinidade, de
empatia entre personalidades e pensamentos, mas isso não pode ser fator
determinante no relacionamento familiar. Temos o desafio de sermos
imparciais e de imprimirmos o mesmo padrão de justiça para todos em
nossa família, incluindo aqueles que melhor se afinam conosco.
A solução, neste caso, não é negar-se ao amor ou a afinidade
relacional mas sim, evitar que as preferências descabidas e
desequilibradas, que superprotege um e abandona o outro, sejam
identificadas. A declaração das preferências afetivas amaldiçoa aquele
que não nos desperta empatia ao isolamento e ao rigorismo justiceiro, o
que distorce a personalidade, desperta o desamor no coração e cultiva
ódio mortífero.
7. Quando falhamos no testemunho cristão - Gênesis 31.19.
Jacó fora criado recebendo os ensinamentos de seu pai Isaque, "o
Filho da Promessa", e portanto sabia como deveria agir para com sua
família a fim de que, pelo seu testemunho, pudessem ser abençoados. Jacó
falhou. Cometeu os mesmos erros de seus pais e seu testemunho
distorcido influenciou negativamente a sua família, o que permitiu que
no coração de sua mais amada esposa persistisse a idolatria a ponto dela
roubar uma imagem de seu pai, Labão, para não romper o vínculo com suas
origens religiosas.
Devemos
assumir o nosso compromisso e o nosso papel como sacerdotes, o
sacerdócio universal, para as nossas famílias. O nosso testemunho não
pode ter outra influência que não seja a de coibir o pecado e desafio à
salvação. Não podemos remediar ou demonstrar conivências com os pecados
de nossos familiares. Cada dia que deixamos passar em falha testemunhal,
de certo resultará em noites de amarguras e lágrimas quando virmos os
nossos filhos, esposos e esposas, nossos familiares em geral,
enchafurdados no lamaçal do pecado a passos largos para o inferno.
Conclusão:
Amados, a família é bênção de Deus para nós. Quando ajustada aos
parâmetros da palavra de Deus é base que fornece solidez à sociedade e
faz triunfar o ser, pois não há sucesso na vida que aplaque a amargura
do fracasso na família.
Não
podemos permitir que os fatores alistados aqui prejudiquem nossas
famílias. Na família cristã, temente a Deus e fiel a Jesus Cristo não há
lugar para disputas egocêntricas, para adultérios ou para a
prostituição conjugal. Tais situações são pecaminosas e devem ser
extirpadas do seio da família. Na família evangélica, que sabe a maneira
correta de iniciar um casamento, não há espaço para mentiras e
desonestidade, para preferências afetivas discriminatórias ou para um
testemunho de esparrela. Somos o sal da terra. Somos o povo da santidade
e das realizações benfazejas e por isso, devemos implantar na sociedade
o padrão de Deus para as famílias a partir da vivência em mutualidade e
espiritualidade contagiantes.
Devemos colocar nossas vidas e famílias no altar para que sejamos
transformados por Deus em instrumentos de bênçãos para nossos lares.
Devemos ser viabilizadores e facilitadores da boa convivência familiar,
mesmo que isso nos exija renúncias doloridas ou ruminar das afrontas.
Devemos fazer tudo o que for possível, até mesmo nos permitirmos à
transformações radicais na personalidade e na ideologia, para que nossos
lares vivam motivados pelo amor manifestado por Jesus na cruz.
Somos,
para a nossa família, os promotores do amor que nos possibilita
vivermos em família para o louvor e glória do nosso Deus.
Amo FamíliaPor Pr. Fernando Fernandes


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